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Cuiabá, Quarta-feira 29/07/2026

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JUIZ VAI MARCAR NOVA DATA 29.07.2026 | 09h10

Jurado passa mal e julgamento do assassinato de Zampieri é suspenso em Cuiabá

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TJMT

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Atualizada 10h18 -  O julgamento dos acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri foi suspenso nesta quarta-feira (29), após um dos jurados passar mal durante a noite de terça-feira (28). Juiz vai marcar uma nova data. 

 

Conforme informado durante a sessão, o jurado recebeu atendimento médico da equipe do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Após avaliação, houve recomendação para que ele fosse submetido com urgência a uma tomografia para verificar o quadro clínico.

 

A suspeita inicial é de uma infecção viral, com comprometimento pulmonar. Diante da situação, o juiz Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, decidiu pela dissolução do Conselho de Sentença, como medida para preservar a saúde do jurado e também dos demais integrantes do conselho que tiveram contato com ele, além das outras pessoas presentes no plenário.

 

Com a dissolução, o julgamento será remarcado para uma nova data, que ainda será definida pela Justiça. O magistrado também informou que irá analisar os requerimentos apresentados pelas partes e registrar as decisões em ata.

 

O júri julga os acusados de envolvimento no assassinato de Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá.

 

Atualizada às 10h - Assim como no primeiro dia, a sessão marcada para 9h ainda não começou. 

 

O Tribunal do Júri de Cuiabá entra, nesta quarta-feira (29), no segundo dia de julgamento dos 3 acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

 

Sentam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como executor dos disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar o crime e fornecer a arma; e o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pelo Ministério Público como financiador da execução.

 

Acompanhe a sessão ao vivo aqui:

 

 

Primeiro dia

 

O primeiro dia foi marcado pelo depoimento de testemunhas que ajudaram a reconstruir a aproximação de Antônio com Zampieri e os momentos que antecederam a execução. Também foram apresentados aos jurados detalhes da investigação da Polícia Civil e da Polícia Federal.

 

A primeira testemunha ouvida foi o delegado da Polícia Civil Nilson Farias, que presidiu a investigação sobre o assassinato. Ele relatou que esteve no local do crime logo após os disparos e encontrou Zampieri dentro da caminhonete, com mais de R$ 10 mil e o celular no veículo.

 

O delegado também afirmou que, no início das apurações, nenhuma hipótese foi descartada, inclusive a possibilidade de latrocínio. A manutenção do dinheiro e de outros pertences, porém, passou a reforçar a linha de homicídio planejado.

 

Executor passou a frequentar escritório

 

A secretária de Zampieri, Mariana Costa Pinto, relatou que Antônio passou a frequentar o escritório do advogado quase diariamente durante aproximadamente um mês.

 

Segundo ela, o acusado se apresentava como capelão, usava uma bengala e uma boina e dizia estar em Cuiabá por causa de um sobrinho que morava no Texas e teria interesse em comprar uma fazenda.

 

Nos primeiros contatos, Antônio conversava com a secretária pelo interfone. Com o passar dos dias, porém, passou a ter acesso ao escritório e contato direto com Zampieri.

 

A estratégia, segundo a investigação, teria permitido ao acusado conhecer a rotina da vítima antes do assassinato.

 

Amigo ouviu os disparos

Outro depoimento de destaque foi o de José Marcos Marine, amigo de Zampieri que esteve com o advogado pouco antes do crime.

 

Ele contou que conversava com Zampieri na calçada do escritório e, depois de entrar em seu veículo para deixar o local, ouviu os disparos.

 

“Quando fechei a porta do carro, ouvi os disparos”, relatou a testemunha durante o julgamento. José Marcos afirmou que chegou a pensar em seguir o autor, mas não teve condições.

 

Ele também explicou que não conseguiu identificar o atirador porque o homem usava um boné que cobria parte do rosto e já era noite.

 

O amigo ainda confirmou que conhecia Antônio. Segundo o depoimento, ele chegou a levá-lo para conhecer uma propriedade rural, em uma negociação intermediada por Zampieri. O advogado, porém, desistiu de acompanhar a visita posteriormente e, conforme a testemunha, Antônio não demonstrou interesse na compra do imóvel.

 

Testemunha diz que réus se passaram por primos

A proprietária de um hotel onde Antônio ficou hospedado em Cuiabá também prestou depoimento. Lucilene Gonçalves da Silva afirmou que Antônio chegou ao estabelecimento acompanhado de uma mulher que apresentou como esposa. Depois que ela deixou o hotel, o acusado passou a dividir o quarto com outro homem, apresentado aos funcionários como seu primo.

A testemunha reconheceu o homem como Hedilerson Fialho Martins Barbosa.

 

Lucilene também relatou ter visto Antônio sair do hotel carregando uma ecobag e uma sacola preta, na qual havia um objeto semelhante a uma bengala. Segundo ela, apesar de usar o acessório em outras ocasiões, Antônio não utilizava bengala dentro do hotel e também não mancava.

 

Para a investigação, o objeto seria utilizado para esconder a arma empregada no assassinato.

 

Delegado da PF detalhou investigação

Na parte da tarde, o júri ouviu o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, responsável pela investigação que deu origem à Operação Sisamnes.

 

O depoimento trouxe informações sobre mensagens encontradas no celular de Zampieri, possíveis relações entre os investigados e uma estrutura que, segundo a PF, poderia estar relacionada à contratação de homicídios.

 

Entre os elementos apresentados está um documento apreendido na residência de Caçadini que, segundo a investigação, descrevia uma suposta organização denominada C4 - 'Caça Comunista, Criminosos e Corruptos'. O material trazia funções, logística, armamentos e valores relacionados à execução de diferentes tipos de alvos.

 

Outro ponto citado pelo delegado foi uma mensagem enviada ao celular de Zampieri cerca de cinco minutos após a execução. O conteúdo chamou a atenção dos investigadores pelo tom de despedida e pelo fato de ter sido enviado antes de a morte do advogado se tornar pública.

 

Primeira tentativa teria ocorrido em fazenda

Ainda durante o primeiro dia, o delegado Nilson Farias afirmou que Zampieri teria escapado de uma primeira tentativa de emboscada.

 

Segundo o investigador, Antônio teria ido com amigos do advogado conhecer uma propriedade rural, mas o objetivo seria atrair o próprio Zampieri para o local, considerado adequado para uma execução sem câmeras ou testemunhas.

 

O plano não teria ocorrido porque Zampieri desistiu de acompanhar a visita e enviou um amigo em seu lugar. As investigações também apontaram que Antônio e Hedilerson circularam por diferentes pontos de Cuiabá no dia do crime carregando uma caixa. Segundo o delegado, o objeto teria sido utilizado para tentar evitar que cápsulas de munição caíssem no chão durante os disparos, dificultando a perícia.

 

A arma utilizada no assassinato, conforme o depoimento, foi posteriormente vinculada ao crime por meio de exame balístico.

 

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