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20.08.2020 | 08h30

Recheados de história

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Rita Comini

Fotos: A Gazeta

Fotos: A Gazeta

Esta pandemia tem sido uma oportunidade para muita gente se redescobrir e reencontrar suas histórias. Foi isso que aconteceu com a arquiteta Ana Maria Frandsen e sua mãe Sônia.

 

Ana, que atua como decoradora de festas e em outras áreas, também se viu enfrentando as dificuldades inerentes a essa crise pela qual todos estamos passando. Mas, com a mesma garra de seus ancestrais, que vieram para o Brasil em função da Segunda Guerra Mundial e aqui se estruturam no ramo da padaria e da confeitaria, Ana relembrou das receitas herdadas de sua avó paterna Carolina (que era confeiteira e fazia bolos, doces e bolachas deliciosos), guardadas há anos e, com o incentivo da mãe, resolveu testá-las.

 

Foi assim que descobriram algumas delícias totalmente desconhecidas e “insuportavelmente” artesanais pelo grau de dificuldade na execução, especialmente porque continham os ingredientes, as medidas, mas não explicavam como fazer. Entre incansáveis testes, muitos erros, fornadas queimadas, perdas de ingredientes caros, provando e reprovando, insistindo e persistindo, ela conseguiu produzir os biscoitos sem fugir das receitas centenárias.

 

Ana explica que precisou fazer ajustes nas receitas para o paladar de hoje. “Algumas eram muito doces; outras, achei que precisava reduzir ou carregar mais nas especiarias”. Ressalta que são feitas com ingredientes nobres, como farinha de amêndoa, de castanha; frutas, como nozes e damasco; e especiarias, como cardamomo.

 

Com a ajuda da mãe, dos filhos e de uma irmã, Ana produz, por semana, 10 pacotes de cada um dos cinco tipos de bolachas e 16 bolos. Se dividem entre a compra dos ingredientes, o preparo das massas, cortar, assar, embalar e comercializar.

 

Além do bolo alemão, receita tradicional da cidade da avó Carolina (Munique, Alemanha), produzem a bolacha estrela, de origem dinamarquesa (berço da família Frandsen) e a bolacha Nuremberg, que leva mel, açúcar mascavo, especiarias, lascas de amêndoas e laranja glaçada, além da bolacha Linzer, um biscuit de amêndoas com especiarias; a Nüsse (biscuit de canela doce de leite, nozes e glacê de limão siciliano); a Estrela (amêndoas, castanha-do-pará e especiarias).

 

Além destas, outras novidades estão sendo testadas e entram em breve no cardápio - o coração de limão, o cookie de chocolate floresta negra (com cereja e amêndoas) e a bolacha de especiarias.

 

Ana ressalta que são bolachas macias e de guarda. “Os sabores vão se apurando à medida que os produtos ‘descansam’. O bolo de Munique tem duração de três meses e não perde suas qualidades. Na minha casa, faço no Natal para comer na Páscoa e é maravilhoso”, garante, reconhecendo que “no Brasil não temos essa cultura, gostamos de tudo fresquinho”, por isso, produz toda semana.

 

Perguntada sobre o segredo de uma boa bolacha, Ana revela ser amor e paciência. “É preciso respeitar o tempo de espera de cada massa, deixar descansar, abrir manualmente com o rolo, ficar atento à espessura, cortar individualmente cada bolacha e ter muito cuidado na hora de assar, para não passar do ponto, porque assam muito rapidamente”, detalha, acrescentando que a produção leva dois dias.

 

A comercialização começou primeiro só entre os mais próximos, que foram comprando e passando para os amigos, os amigos dos amigos, até chegar às redes sociais - WatsApp (65) 9 9981- 0059 e Instagram.

 

“As primeiras vendas eram muito primitivas e aí começamos a fazer algo mais padronizado, tudo com esforço, criatividade e cansaço, especialmente com este calor e o forno ligado entre nove e dez horas por dia. Assim, estamos descobrindo segredos que ficaram totalmente esquecidos e continuariam assim, se não fosse este vírus que tantas dores e sofrimentos causou ao mundo”, descreve a mãe, Sônia, que também foi contaminada e está em tratamento.

 

Segundo ela, são sobreviventes de uma tragédia que se abateu sobre o mundo, como foi a Segunda Guerra, que obrigou aos seus ancestrais a abandonarem suas pátrias e partir para o desconhecido Brasil, sem falar uma palavra em português. “Ainda somos pequenos, mas certos que com a fidelidade e talento que meus avós tiveram, estamos também desafiando a economia, oferecendo um produto que não é básico, mas cuja qualidade e por ser novidade está agradando e nos dando a esperança de começar de novo, como eles fizeram há mais de 100 anos”, constata.

 

Mesmo ainda sem um ponto de vendas, já estão atendendo alguns pedidos até de fora do Estado. Os preços variam de R$ 12 a R$ 25.

 

Fotos: A Gazeta

Biscoitos artesanais
 

Fotos: A Gazeta

Biscoitos artesanais
Fotos: A Gazeta 

 

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