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Cuiabá, Sábado 10/01/2026

Gastronomia - A | + A

08.01.2026 | 08h00

De rejeitado a festejado

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Rita Comini

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De origem africana, o quiabo é um vegetal saboroso, rico em nutrientes e com muitas propriedades curativas. Sua história remonta há milênios, tendo sido cultivado inicialmente na Etiópia. Chegou ao Brasil no século XVI trazido por escravos e colonizadores, integrando-se à culinária afro-brasileira e tornando-se um símbolo de resistência cultural. Além da gastronomia, é usado em rituais no candomblé, como oferenda para orixás.

 

Para além de sua rica história, cultura e propriedades nutricionais, é um alimento muito presente na gastronomia, integrando preparos regionais como o caruru, prato afro-brasileiro, símbolo da culinária baiana e das tradições do candomblé, feito com quiabo picado, camarão seco, azeite de dendê, castanhas, amendoim, cebola, alho e gengibre, resultando em um cozido cremoso e saboroso, servido com arroz, acarajé ou vatapá.

 

Na cozinha mineira, o frango com quiabo é emblemático. Surgido no século XIX, une influências culinárias de três continentes: o europeu/português, africano e indígena, por conta do angu, acompanhamento imprescindível.

 

Versátil, pode ser preparado ainda num refogado de carne suína - fica perfeito com costelinha e linguiça - , mas pode ser apreciado cozido com tempero no óleo, cozido em saladas, tostado como acompanhamento de outros pratos.

Na cozinha de minha casa, nas Minas Gerais, a mãe preparava um delicioso ensopado com lascas de bacalhau e quiabo colhido no nosso quintal.

 

Se durante muito tempo ele permaneceu neste lugar de ingrediente popular e visto até com um certo preconceito por alguns, mais recentemente ganhou espaço também na alta gastronomia onde vem se destacando. Passou de coadjuvante a estrela, valorizado por chefs que exploram toda sua versatilidade. Integra pratos sofisticados com frutos do mar, frituras crocantes ou molhos complexos, celebrando suas raízes africanas e brasileiras e transformando sua percepção popular em uma experiência de sabor e identidade cultural.

 

Dentro do movimento de resgate e valorização de ingredientes nacionais e ancestrais, os chefs de cozinha acabaram elevando o quiabo a um ícone de brasilidade.

 

Eles exploram a textura, incluindo a baba, antes considerada um problema, agora vista como uma gelatina natural que pode engrossar molhos ou ser controlada com limão ou fritura rápida para crocância.

 

Outro aspecto valorizado pelos profissionais de cozinha é a versatilidade do quiabo. Ele combina bem com frutos do mar, em frituras rápidas e até em versões sofisticadas com shoyu e amêndoas.

 

O quiabo na alta gastronomia é um exemplo de como um ingrediente popular e com preconceito pode ser transformado em um prato sofisticado, explorando suas características sensoriais e seu rico significado cultural e nutricional.

 

Não bastasse tudo isso, o quiabo é rico em vitamina A, importante para a visão, fígado, pele e mucosas em geral; vitamina B1, decisiva para o bom funcionamento do sistema nervoso; e B2 importante para o crescimento, principalmente na adolescência.

 

Como é de fácil digestão, é recomendado para pessoas que sofrem de problemas digestivos, sendo eficaz contra infecções intestinais, bexiga e rins.

 

Pesquisas científicas, apontam várias propriedades curativas do quiabo. Ele é eficaz antiúlceras; anticancerígeno, reduz ataques cardíacos, diminui o colesterol sanguíneo, alivia desordens intestinais, inflamações no cólon, diverticulite e úlceras estomacais. É ainda um neutralizador de ácidos, lubrificante do trato intestinal, auxilia na melhora de queimaduras, acalma psoríase e envenenamento e pode ser utilizado no tratamento de inflamações nos pulmões, síndrome do intestino irritável e dores de garganta.

 

Estudos mostraram que a ingestão de quiabo regula a expressão gênica de maneira a favorecer o controle do diabetes, além de reduzir de maneira significativa as taxas de glicose no sangue, podendo chegar eventualmente até a substituir a insulina. Enfim, o quiabo poderá se confirmar como a principal forma de tratamento para os diabéticos.

 

Como possui poucas calorias e é rico em fibras, tem influência direta na manutenção do peso e da boa forma.

Vale lembrar que estamos em plena safra do quiabo, fator decisivo para a escolha desse tema.

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