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Cuiabá, Terça-feira 23/06/2026

Judiciário - A | + A

motorista não freou 23.06.2026 | 16h01

'Pagou fiança enquanto vítimas eram enterradas', diz pai assistente de acusação

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Laisa Stofel e Jessica Bachega

redacao@gazetadigital

Montagem/Gazeta Digital/Redes Sociais

Montagem/Gazeta Digital/Redes Sociais

O depoimento do assistente de acusação Mauro Viveiros, pai do jovem Ramón Viveiros, marcou a tarde desta terça-feira (23) no Tribunal do Júri, em Cuiabá. Atuando diretamente no clamor por justiça pela perda do filho, o procurador de Justiça aposentado classificou o trágico episódio em frente à boate Valley Pub como "um dos mais pavorosos atropelamentos múltiplos que se tem notícia no nosso estado".

 

Em sua fala aos jurados, Viveiros rebateu as declarações da ré, Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, e relembrou a violência do impacto que tirou a vida de seu filho e da jovem Milena de Andrade, além de deixar sequelas graves na sobrevivente Hya Girotto.

 

Leia também - 'Não sou um monstro, estou morta também', diz ré por duplo assassinato

 

Durante a sustentação, Mauro Viveiros reconstituiu a dinâmica da madrugada do acidente, apontando que a tragédia foi o resultado direto de "um churrasco e uma noite de bebedeira desenfreada". Segundo ele, a ré dirigia em alta velocidade quando fez uma mudança brusca da faixa da direita para a última faixa da esquerda, atropelando os três jovens.

 

"As vítimas foram lançadas a 14, 20 e 30 metros de distância em uma pista limpa, seca e com ampla visibilidade. [A ré] prosseguiu, avançou e passou por cima de dois corpos estirados no chão, prosseguiu e fugiu do local, só não conseguiu porque foi interceptada", relembrou o pai de Ramón.

 

Viveiros também contestou a versão apresentada por Rafaela em plenário, que negou ter tentado fugir do local do crime.

 

"Hoje a ré disse que jamais tentou fugir, pelo contrário. Disse que nunca viu o homem que a interceptou, mas ele não só a viu, como a interceptou e a trouxe ao local", pontuou.

 

O assistente de acusação também manifestou a indignação dos familiares diante do fato de a motorista ter respondido ao processo em liberdade após o pagamento de fiança na época do flagrante.

 

"Prisão em flagrante, pagou a fiança e responde em liberdade. Enquanto os familiares retiravam os corpos e enterravam seus entes queridos", desabafou.

 

Mauro Viveiros relembrou o sofrimento contínuo e as marcas indeléveis deixadas tanto na jovem que sobreviveu ao atropelamento quanto no seio das famílias afetadas. No entanto, destacou a resiliência daqueles que perderam quem mais amavam na busca por responsabilização.

"Os familiares transformaram o luto em voz. A dor em ação", destacou.

 

Cronologia dos fatos

Depoimento de testemunhas dá conta de que a bióloga havia passado o dia em um churrasco com amigos, onde consumiu bebidas alcoólicas. Depois, todos foram para um primeiro bar e terminaram a noite na boate Valley. Uma amiga disse que Ragaeal estava muito alterada e precisou passar sua digital para pagar a comanda, visto que a ré não tinha condições.

 

Mesmo sem possibilidade de dirigir, ela teria insistido para pegar a chave do carro e saiu em alta velocidade, ultrapassando veículos que seguiam lentamente pela via. Uma condutora contou que foi ultrapassada por Rafaela na avenida.

 

Vídeo do momento do acidente mostra que a condutora não freou ao ver os pedestres na rua. Comanda de Ramón no bar mostrou que ele consumiu apenas duas cervejas e estava atravessando a rua com as amigas em direção a um carrinho de cachorro-quente.

 

No momento do acidente, a motorista recusou teste do bafômetro, mas apresentava olhos vermelhos, fala desconexa e desequilíbrio.

 

O corpo de jurados é composto por quatro homens e três mulheres.

 

 

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